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MÁQUINA VITAL DE GUERRA OU O COMBATE À TIRANIA

17/6/2019

Por que o trágico é alegre? [Por nenhum direito a menos ou por nenhuma tutela a mais?]

 

(Antes de você ler ao contundente e atualíssimo texto de Luiz Fuganti, aí vai um convite seu. Imperdível!

"Nesta segunda-feira, 17 de junho, de 19h30 até 22h00 você é meu convidado para uma aula
aberta do grupo de estudos da obra Assim Falou Zaratustra, de 
Nietzsche. Falaremos sobre o que esconde o ideal do amor ao próximo, e o que 
seria um modo ativo de amar - tema tão necessário e urgente nos dias 
atuais, onde os modos passionais reivindicativos de existir dominam as 
sociedades globalizadas. Para receber seu acesso à aula clique no link abaixo.

https://app.getresponse.com/click.html?x=a62b&lc=BL9Pri&mc=0o&s=uayWHi&u=hL3dY&y=g&z=E9p5VoO&)

 

Assistimos HOJE a uma epidemia de vitimismo! É chegado o tempo em 
que vestir a máscara de vítima tornou-se a esperteza e o poder maior 
não só dos seres tristes, mas de vilãs e vilões que engordam seus 
poderes covardes com a multiplicação das paixões tristes! 
Sanguessugas e tarântulas travestidas de frágeis borboletas se chocam 
contra a luz das naturezas dadivosas!
Cultivamos por longo tempo o hábito de transferir a responsabilidade do
mal que nos acontece e do mau uso do que nos acontece de mal, 
nos fazendo de humilhados, ofendidos, abusados! 
Não temos cultivado menos, por outro lado, um mau uso do que 
consideramos que nos acontece de bom! Cultivamos agora o mau gosto 
de nos empoderar e autorizar para melhor enquadrar as forças 
supostamente nocivas que certamente provocam o que em nós insiste 
em permanecer passivo e ameaçam o conforto das belas almas!
Nós humanos, demasiado humanos, nos especializamos em anestesiar 
nossas dores imaginando sempre um Outro como sua causa! Assim 
como a fazer um uso reativo dos prazeres para conseguir melhor 
embalar nosso sono! 
Arquitetamos causas imaginárias tanto do mal quanto do bem que nos
acontece, construímos a Imagem de um Outro com a matéria dos 
fantasmas nascidos da confusão entre o que poderíamos de direito e o 
que nos tornamos de fato. 
Projetamos uma fuga das camadas empilhadas na prisão do que nos 
tornamos. Inflacionamos o desejo cativo, em meio aos charcos e 
atoleiros afetivos, de movimentos idealizados de libertação de um 
inimigo imaginário. 
Assim criamos tanto ídolos quanto monstros, e em vez de aprender a 
compor modos criativos de si com modos criadores do outro, colamos 
nossos desejos ao outro que amamos por vontade de poder, nos 
apropriando dele pelo que chamamos de amor. 
Mas se o malogro advir - e como não adviria? - não nos contentamos em 
nos afastar, queremos destruí-lo. Sobretudo quando nos sentimos 
usados, enganados, sabotados, não atendidos naquilo que dele 
esperávamos como barganha do que entregamos, o conjunto de 
obrigações e direitos das concessões de um desejo submisso e por isso
mesmo mais opressor do outro, do que o outro que acusa. Uma 
economia política da fraqueza, a moeda de troca dessa migalha que 
chamamos amor. 
Quem em nós quer não colar-se, mas compor-se com os modos de vida 
mais ousados e experimentadores de novas maneiras de existir, não 
para poder melhor sugar, parasitar a vida dos mais inventivos, mas para
tornar-se co-criador com os criadores? E libertar-se com os libertadores? 
Mas na contra-mão das vidas que ousam criar outras maneiras mais 
alegres e potentes de existir, vemos disseminar uma nova raça de 
impotentes e malogrados, a raça dos passivos que querem ter direito 
sobre os ativos, dos odiosos sobre os amantes, dos lamentáveis sobre 
os admiráveis, dos que precisam pisar nos outros para crescer sobre os 
que crescem por generosidade e entrega de vida.
Esses seres enfim tornados fracos por capturas de uma mega-máquina 
social que deles faz suas peças desejantes e cooptadas, reprodutoras, 
tornam-se também, além de convertidos, cooptadores exemplares, 
instrumentos de capturas, jogando toda sua reatividade para ressoar em  
teias sociais num maquinismo dos poderes tristes que jogam a vida 
reativa contra a vida dos que não perdem a potência de criar!  
A mega-máquina social não reproduz seu poder sem rebaixar e separar 
as vidas humanas de suas potências e, ao mesmo tempo, converter 
suas cumplicidades passivas em adesão empoderadora. 
Retribui e recompensa, desse modo, o atraso orquestrado das vida 
esmagadas e niveladas por baixo. O preposto de poder em nós precisa 
vencer a qualquer custo! 
Seu empreendedorismo? Capturar gestos, palavras, emoções, 
sensações, memórias, imagens, movimentos, pensamentos 
vampirizando e enquadrando as zonas de autonomia intensiva da vida e 
seus modos criadores de condições afirmativas de existência. 
Sequestradores da inocência!
O malogro daqueles que se enfraquecem com o próprio mau jeito de 
levar a existência e não suportam olhar para suas cumplicidades, 
tornou-se a principal fonte para alavancar os negócios daqueles que 
fazem da EMPRESA DA ACUSAÇÃO, que empodera impotentes, seu 
meio de enriquecimento legal! 
O algoz conquistou seu maior disfarce, uma aura de ser civilizado, ou 
seja, como vítima sem outro poder que o da tutela da Lei. A lei como 
negócio!
E não, é claro, sem disseminar o culto às paixões tristes e espumar seu
ódio justiceiro! 
Como não transferiria à outros responsabilidades que não dá conta? 
Como não disfarçaria sua cumplicidade apontando o dedo para acusar 
um outro por seu fracasso? Um outro que não atende à seus mimos 
passionais? 
Como poderia gozar sem sacrificar os seres mais intensos cujo 
pluralismo inventivo inveja, sugando-lhes o sangue e extraindo 
vantagens do potencial criativo que não tem?
Como não manipular fatos, chantagear e difamar quando seus objetivos 
são frustrados?
Transferir e atribuir responsabilidades pelo mau que nos acontece, pelos
descuidos e abandonos de nós mesmos, imputando a um Outro (sempre
imaginário) nossos fracassos tornou-se CULTURA e DIREITO em nossa 
época.
Sejam ricos que não passam de escravos endinheirados ou pobres que 
desejam ser senhores virando a mesa, todos tem em comum o culto do
Ser-Humano-Médio-Civilizado-Normal-Normativo, mas que é sempre o 
CULTO DE UM TIPO HUMANO, o da Forma-Humana-medíocre, da 
baixeza dos seres de bom senso ou boa opinião, do nivelamento raso do 
senso comum, produtor de consenso, de unanimidade de uma MAIORIA
assassina das diferenças, mesmo e sobretudo muitas vezes 
constituindo-se e percebendo-se como uma MINORIA que quer tomar o 
mesmo lugar da MAIORIA!
A igualdade se constitui pela cumplicidade entre impotência e
empoderamento, malogro irrevogável! 
Todo o projeto de um ser-humano-médio, adulto, racional, moral, 
qualquer: simulacro de  civilidade, de cidadania, da superioridade civil 
humana sobre a animalidade, construída sobre circuitos capturadores de 
afetos, de corpos e de mentes, e reincidentes no culto sútil ao ódio 
mascarado de amor ao próximo, ao fraco e de compaixão à vítima, 
cultivando a paz forçada do algoz, deixando em segurança o covarde 
que pratica a violência velada, e em liberdade a hipocrisia e a tolice. 
Não é a igualdade na FORMA do SER, entre o SER-Homem, 
SER-Mulher, SER-Branco, SER-Negro, SER-Amarelo, SER-Homo, 
SER-LGBTQ....etc que devemos, reivindicar, mas combater pelas 
conquistas dos DEVIRES-minoritários de todas as forças humanas e
inumanas que nos atravessam e nos tornam efetivamente livres de todas 
as tutelas!
Ignorância do acontecimento e prepotência da convicção. Eis as duas
faces da mesma epidemia que assola as vidas separadas do que podem, 
isto é, impedidas de se preencherem com afetos ativos e alegres. Vidas
duplamente capturadas e cooptadas: uma hipo-suficiência generalizada 
as assola: indigência mental, corporal e desejante.
Mas por que então o trágico é alegre? Porque os deuses estão rindo!
Por quê e de quê riem afinal os deuses? O riso dos deuses vem do 
sentido alegre da dor! 
Se você não cria é criado. As forças de fora te obrigam e te engravidam
pela dor, parindo a distância e diferenciando o que pode criar na vida e o
que ela se torna ao criar ou ser criada na experiência vivida, diferença
que descola e que, se afirmada, pode fazê-la decolar!
Porque isso que nos acontece de triste e de trágico é um cutucão do
destino! É uma provocação, é uma intervenção libertária do mal! É
um modo de perceber o quão tolo é teimar em conservar o que não pode
parar de variar, de fixar-se em algum estado afetivo ou de coisas que te
acomoda, entidade, postura devota ou idólatra a um impagável credor!
Conquistemos o Humor dos deuses! Tornemo-nos capazes de rir do mau, 
e até dos piores encontros! Elevemos ao máximo a potência de afirmar 
a vida! Não precisamos colher as compensações da covardia que 
calcula e negocia os efeitos de atitudes e comportamentos que nos 
salvariam da infâmia!




 

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